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Sangria de freio

Sangria remove ar do sistema hidráulico e restabelece a firmeza do freio. Entenda quando é necessária e o cuidado com ABS.

Sangria de freio é o procedimento de remoção do ar do circuito hidráulico. Ela é necessária porque o sistema transmite força justamente por o fluido não comprimir — e ar no circuito absorve parte do curso do manete em vez de acionar os pistões.

Quando é necessária

  • Após qualquer abertura do circuito: troca de mangueira, reparo de pinça ou de cilindro mestre.
  • Na substituição do fluido.
  • Quando o manete ou pedal apresenta curso longo e sensação esponjosa.
  • Após o reservatório ter ficado sem fluido.

Sangrar não resolve a causa

Se o ar entrou por uma vedação comprometida ou por vazamento, ele volta. Sangria repetida no mesmo sistema em pouco tempo é sinal de que existe um ponto de entrada não identificado.

Antes de sangrar, vale inspecionar mangueiras, conexões, vedação do cilindro mestre e a região das pinças.

Fluido escurecido pede substituição, não sangria

Fluidos à base de glicol absorvem umidade ao longo do tempo, o que derruba o ponto de ebulição e pode fazer o fluido ferver sob uso intenso — gerando vapor, que é compressível.

Nesse caso, remover apenas o ar não resolve: o fluido inteiro precisa ser trocado. O intervalo de substituição é definido por tempo no manual do modelo, independentemente da quilometragem.

Cuidados de execução

  • Mantenha o reservatório abastecido durante todo o procedimento — deixar secar introduz ar novo.
  • Use fluido novo de embalagem lacrada: frasco aberto há tempo já absorveu umidade.
  • Respeite a classificação especificada pelo fabricante. Fluidos à base de silicone não são compatíveis com os à base de glicol.
  • Proteja a pintura: fluido danifica superfícies pintadas; respingo deve ser removido imediatamente.
  • Não reutilize o fluido drenado.
  • Descarte adequadamente — é resíduo.

Sistemas com ABS exigem procedimento próprio

Muitos sistemas com ABS têm circuitos internos no módulo que não são purgados por sangria convencional. O procedimento correto frequentemente exige equipamento que aciona o módulo durante a operação.

Sangrar um sistema com ABS como se fosse convencional pode deixar ar preso e comprometer o funcionamento — e a falha só aparece na frenagem de emergência.

Teste antes de entregar

Após a sangria, verificar a firmeza do manete e realizar teste de rodagem com frenagens progressivas é parte do serviço. Freio é um dos poucos sistemas em que entregar sem testar não é aceitável em nenhuma circunstância.

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